🍷 O melhor vinho 👣 ainda está por servir

São Bento aconselhava aos seus monges, no início da Quaresma, a escolha de um bom livro como companhia para o caminho quaresmal, rumo à Páscoa.

Ao longo destes 40 dias, passaram pelas minhas mãos (e pelos meus olhos) vários livros diferentes, mas houve um que me foi oferecido e que demorei mais de 40 dias para lê-lo aos poucos, como quem saboreia um bom vinho.

O livro a que me refiro é Esperança, cujo autor bem conhecemos: o Papa Francisco. Mais do que uma leitura tornou-se um caminho pela epopeia entre os dois séculos XX e XXI, marcados por “notícias que cristalizam o momento e fixam a memória de cada um de nós no tempo e no espaço” (Francisco, Esperança, Autobiografia, p. 258).

Este livro, que devia ser publicado post mortem, por autorização do mesmo Papa saiu neste ano jubilar da Esperança. Tornou-se uma graça, ler a autobiografia papal nos dia em que o autor desapareceu fisicamente da cena pública mundial devido à sua hospitalização e convalescença.

No final da sua autobiografia, o Papa serve-se da página evangélica das bodas de Caná para nos animar nos momentos de temor e de angústia: “pensai naquele episódio e dizei a vós mesmos: o melhor vinho ainda está por servir!”.

Francisco convida-nos a agarrarmo-nos à âncora da esperança porque “a realidade mais profunda, mais feliz, mais bela, para nós mesmos, para quem amamos, está para chegar” e lembra-nos os versos de Hikmet, “o mais belo dos mares é aquele que não navegamos; o mais belo dos nossos filhos ainda não nasceu; os mais belos dos nossos dias ainda não os vivemos; e ainda não te disse a coisa mais bela que gostaria de te dizer”. (cf. Esperança, p. 336-337)

Com este espírito caminhamos rumo à Páscoa jubilar de 2025. 

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