Um pai, um filho e uma bicicleta roubada

Ladrões de Bicicletas, de Vittorio De Sica, Drama, M/6, ITA, 1946.

É muito bela a imagem do pai e do filho, na madrugada do primeiro dia de trabalho. Ver a alegria e a felicidade com que o pequeno Bruno cuida daquele objecto precioso, imita os gestos do pai e sai com ele sentado no quadro da bicicleta é um tratado de educação.

MINARI – O sonho americano de uma família coreana

Minari, de Lee Isaac Chung, Drama, M/12, EUA, 2020. Óscares 2021: Melhor Atriz Secundária. Festival de Sundance: Grande Prémio do Júri e Prémio do Público.

Como é sabido, Tolstoi abre o seu romance Ana Karenina com a famosa frase: “As famílias felizes são todas iguais, as infelizes são-no cada uma à sua maneira”. Mas todos sabemos também, da nossa experiência, que essa afirmação só é verdadeira ‘à sua maneira’. Começo por aqui para falar de …

Ler mais

Um relógio que já não marca o tempo

O Pai (The Father), Florian Zeller, Drama, M/12, EUA/França, 2021.

Num artigo publicado no suplemento ípsilon, do jornal Público, de 07 de Maio, por causa do filme O Pai, vem destacada esta frase provocadora dita por Anthony Hopkins, o actor: “Nascermos é a grande blague. Vivemos e depois morremos. Mel Blanc, o tipo que fez Bugs Bunny, disse: That’s all …

Ler mais

Nomadland: ter uma casa não é ter um lar

Nomadland - Sobreviver na América, de Chloé Zhao, Drama, M/12, EUA e Alemanha, 2020. Óscares 2021: Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Atriz.

Apesar de uma carreira já muito premiada Nomadland – Sobreviver na América nunca será um filme consensual. E cada um vê-lo-á de um ponto de vista diferente, como sempre. Sem ser arrebatador – a não ser talvez a personagem de Fern, a única actriz presente – coloca-nos algumas questões pertinentes. …

Ler mais

Sequência da Páscoa: uma das mais belas histórias do mundo

Dos Homens e dos Deuses, Xavier Beauvois, Drama, M/12, França, 2020.

Este é o título de um brevíssimo texto de Marguerite Yourcenar, incluído na colectânea O Tempo Esse Grande Escultor. Começa assim: Deixo por momentos ao menos as cerimónias e os ritos da mais santa das semanas cristãs e tento extrair dos textos sagrados que se lêem mas nem sempre se …

Ler mais

Uma mulher que fugiu e outra que sonha fugir

Domangchin yeoja/The Woman Who Ran | A Mulher que fugiu, de Hong Sang-soo, Drama, M/12, Coreia do Sul, 2020.

O filme, muito feminino, muito simples, mas só aparentemente: A Mulher Que Fugiu. É precisa uma grande atenção para desbobinar as várias camadas mais ou menos escondidas. E compreender a infinita e subtil melancolia que o percorre.

O Mal não Existe – O olhar da Raposa

Sheytan Vojud Nadarad (O Mal não existe) de Mohammad Rasoulof, Drama, M/14, ALE/Irão/República Checa, 2020.

Infelizmente, são ainda muitos os lugares deste mundo onde a pena de morte continua a existir e a ser praticada. Sirvam de exemplo estas notícias do Público, de 11 e 13 de Dezembro de 2020: Trump autoriza onda de execuções como não se via há 124 anos; Alfred Bourgeois é …

Ler mais

Sibéria: A Luta de Abel com Caim dentro dele

Siberia de Abel Ferrara, Drama/Terror, M/16, MEX/GRE/ITA/ALE, 2020.

Como escrever sobre um filme que nos parece importante, mas nem sequer foi daqueles que mais nos entusiasmou?

LISTEN, um filme para ser escutado nas entranhas

Listen, de Ana Rocha de Sousa, Drama, M/12, POR, 2020.

Podemos entrar neste filme pela lente partida da máquina fotográfica a fingir de Lu, a filha surda-muda daquela família. Uma lente que faz lembrar as teias onde as aranhas apanham, prendem e comem outros insectos. É disso que se trata neste filme: o Estado, no seu suposto zelo de cuidar …

Ler mais

Um desejo furioso de sacrifício

L’adieu à la Nuit | O Adeus à Noite, de André Téchiné, Drama, M/12, FRA/ALE, 2019.

O primeiro mérito do último filme de André Téchiné O Adeus à Noite – que começa com a profusão e beleza de um imenso cerejal em flor rapidamente ensombrado por um eclipse – é o de nos obrigar a (re)pensar – a não deixar esquecer, apesar de aparentemente estar mais …

Ler mais