A escola impossível
Uma escola sequestrada pelo medo, pelo constante questionar do seu funcionamento, pela hesitação, pelos cenários catastrofistas, é uma escola tolhida, encolhida, embotada. É uma escola impossível, não é a escola.
Uma escola sequestrada pelo medo, pelo constante questionar do seu funcionamento, pela hesitação, pelos cenários catastrofistas, é uma escola tolhida, encolhida, embotada. É uma escola impossível, não é a escola.
Acabou a escola. Do pré-escolar às universidades, a segunda parte do ano letivo de 2019/2020 vai ser recordada como um ano singular. Na experiência individual muitos anos são especiais, mas como comunidade os anos letivos são habitualmente “mais um ano que passou”, dito sem desprimor, mas com a familiaridade do …
Quando esta revista se abra nas mãos dos leitores, já a primavera vai alta e o junho traz a certeza do verão. O ciclo virtuoso das estações do ano é menos incerto do que o rosto que cada tempo vai ter: que verão será o nosso? O das noites de …
Estamos em suspenso, dentro da realidade, também ela hesitante. Uma realidade pasmada perante a sua própria evidência: estar aqui e agora, mas sem ter do passado mais do que uma lembrança difusa e sem muito ânimo para imaginar o futuro. Esse é porventura um dos efeitos que destacaria da atual …
Abro o Word no computador e começo, como habitualmente, por gravar o documento: 039_Os pés na terra_abril2020. Desta feita, o nome do documento permaneceu na minha mente em vez de ser apenas mais um movimento rápido dos dedos nas teclas e um clique do indicador no botão esquerdo do rato. …
O que lembramos e porque nos lembramos do que nos lembramos? O que acontece para que tempo depois dos acontecimentos, algumas memórias com vinte, trinta, quarenta ou mais anos sejam tão vívidas como as do dia anterior, e outras situações, ainda que consideradas importantes na linha do tempo vital, não …
Ia no comboio sentada no sentido contrário ao da marcha. Depois de três dias de céu nublado e chuva miudinha, finalmente via-se o sol, e mesmo naquela visão um pouco contranatura de uma paisagem que se nos escapa por diante vinda do “ângulo-morto” do ombro, a planura verde, tão diferente …
Coloco antecipadamente aspas neste título, porque ele é uma frase do sociólogo e filósofo francês, Edgar Morin, citada por Tolentino Mendonça, numa das suas crónicas na revista do semanário Expresso, chamada “O prazer de esperar” (1-3-2014). É uma crónica em que se invocam os prazeres do tempo lento, mesmo que …
Num texto na revista Visão, de 18 de agosto de 2016, “O valor global da língua e da cultura”, Guilherme d’Oliveira Martins escreve sobre os desafios que a língua portuguesa enfrenta num mundo como o nosso, praticamente (ou será melhor dizer, aparentemente?) sem fronteiras para a informação e para o …
Para percorrer de carro a distância entre Ourém e Fátima, há três estradas conhecidas (e mais um sem fim de caminhos por entre aldeias e lugares da serra, que os habitantes da zona conhecem). A estrada da Atouguia, mal asfaltada, atravessando várias aldeias além da Atouguia que lhe dá o …
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