No mês de novembro, o Papa dedica a sua intenção de oração às “pessoas que se debatem com pensamentos suicidas”, para que “encontrem apoio” nas suas comunidades e “se abram à beleza da vida”.
O tema do suicídio não é muito “publicitado” por razões óbvias, mas é uma profunda chaga na vida das comunidades. Também no nosso pequeno meio de Coimbra, deparamos com famílias e pequenas comunidades que sofrem por causa de um jovem, de um adulto ou até de um idoso que “parecia tranquilo e sereno” e que “sem razão alguma”, decidiu acabar com a própria vida.
Como Igreja, devemos prestar atenção a este grave e crescente fenómeno da sociedade contemporânea, procurando – como diz o Papa Leão XIV – “apoiar, acolher e acompanhar aqueles que lutam contra pensamentos suicidas”.
Nos dados publicados pela Organização Mundial da Saúde, todos os anos, no mundo, cerca de 720 mil pessoas tiram a própria vida, quase 2 mil por dia. A faixa etária mais afetada é a dos 15 aos 29 anos. No meio juvenil, o suicídio é a terceira causa de morte e entre as mulheres, jovens e adultas, é a segunda.
É importante saber que o suicídio, na doutrina da Igreja Católica continua a ser um ato grave que “contradiz o amor a si mesmo, aos outros e a Deus”, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (números 2280-2283). Porém, graças ao maior envolvimento no estudo da saúde mental, a Igreja reconhece que graves perturbações psíquicas, a angústia ou o medo severo da provação e do sofrimento, podem atenuar a responsabilidade pessoal.
A Igreja lembra-nos que não devemos perder a esperança na salvação eterna daqueles que, em sofrimento, puseram fim à própria vida. Confiamos estas pessoas à misericórdia de Deus e à oração da comunidade. Ao mesmo tempo, somos chamados a prevenir o risco do suicídio, cultivando a escuta e a proximidade fraterna.