2026: Santo António dos Olivais, Igreja Jubilar em Coimbra

800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis assinalados com celebrações globais e a proclamação de Igreja de Santo António dos Olivais como igreja jubilar na Diocese de Coimbra.

VIII Centenário da Páscoa de São Francsico de Assis
VIII Centenário da Páscoa de São Francsico de Assis

Um Jubileu para redescobrir o Evangelho vivido com simplicidade

O ano de 2026, assinala o oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis (1226–2026), figura decisiva na restauração espiritual da Igreja e inspiração universal de paz, fraternidade e cuidado da criação. Para marcar esta data, o Papa Leão XIV proclamou o Ano Jubilar Franciscano, inserido no percurso dos Centenários Franciscanos (2023–2026), que recordam os principais momentos da vida do Santo de Assis.

O Jubileu decorre de 10 de janeiro de 2026 a 10 de janeiro de 2027 oferecendo aos fiéis um tempo de graça, reconciliação e renovação interior. A Penitenciaria Apostólica concedeu a indulgência plenária, nas condições habituais, a todos os que participem nas celebrações jubilares ou visitem, em peregrinação, uma igreja franciscana em qualquer parte do mundo.

O decreto pontifício apresenta o Jubileu como um convite a “parar, escutar, converter o coração e recomeçar”, seguindo o caminho de simplicidade evangélica que São Francisco viveu com radicalidade e alegria.

Santo António dos Olivais declarada igreja jubilar

Na Diocese de Coimbra, o Jubileu ganhou um significado particular. Por proposta dos Franciscanos Conventuais, que acolheram o pedido de vários fiéis, D. Virgílio Antunes, declarou que “a igreja conventual e paroquial de Santo António dos Olivais, de 1 de junho de 2026 até 31 de dezembro de 2026, seja a igreja jubilar franciscana para a Diocese de Coimbra e, nela, segundo as indicações da Penitenciaria Apostólica, se possam obter as graças próprias do Ano Jubilar Franciscano”.

O decreto episcopal, publicado em Pentecostes, sublinha que este tempo extraordinário pretende “ajudar-nos a redescobrir o Evangelho vivido com simplicidade, misericórdia e paz, à maneira de São Francisco”. A igreja dos Olivais torna-se, assim, lugar privilegiado de peregrinação, oração e reconciliação para toda a Diocese.

Os fiéis que visitarem o templo com ânimo desapegado do pecado, participando nos ritos jubilares ou dedicando tempo à oração silenciosa, poderão obter a indulgência plenária concedida pela Santa Sé.

Um Jubileu para todos: peregrinação, oração e compromisso

Segundo a Penitenciaria Apostólica, a indulgência jubilar pode ser obtida:

  • visitando em peregrinação qualquer igreja conventual franciscana ou lugar de culto dedicado a São Francisco;
  • participando nas celebrações jubilares;
  • permanecendo em oração durante um tempo adequado, meditando sobre a vida e o testemunho do Santo de Assis;
  • unindo-se espiritualmente, no caso de idosos, doentes ou pessoas impedidas de sair de casa.

O Jubileu é, assim, um caminho aberto a todos: religiosos, leigos, famílias, jovens, peregrinos ocasionais ou pessoas que procuram reencontrar a fé.

Uma celebração global: iniciativas internacionais dos Franciscanos

O Ano Jubilar integra o programa internacional dos Centenários Franciscanos, coordenado pela Família Franciscana e apoiado por diversas instituições culturais e eclesiais. Em Itália, o Ministério da Cultura promove exposições, itinerários históricos e eventos académicos dedicados à figura de São Francisco, destacando o seu impacto na arte, na espiritualidade e na cultura europeia.

A plataforma oficial Centenari Francescani reúne informação sobre celebrações, peregrinações, congressos e iniciativas pastorais em Assis e no mundo inteiro. A Agência Ecclesia, o Vatican News e diversos meios de comunicação têm acompanhado o Jubileu, sublinhando a sua dimensão universal e o apelo à paz num tempo marcado por conflitos e polarização.

Francisco de Assis: um santo para o nosso tempo

O Jubileu de 2026 não é apenas uma comemoração histórica. É um convite a revisitar a herança espiritual de São Francisco — misericórdia, fraternidade, pobreza evangélica, cuidado da criação e compromisso com a paz — e a traduzi-la na vida quotidiana.

A proclamação de Santo António dos Olivais como igreja jubilar coloca Coimbra no mapa internacional das celebrações franciscanas, oferecendo aos fiéis um espaço de encontro, reconciliação e renovação espiritual. Num tempo em que a Igreja procura caminhos de proximidade e simplicidade, o testemunho de Francisco continua a ser uma luz que aponta para o essencial: o Evangelho vivido com frugalidade e alegria.

Tempo da Criação: 1 de setembro a 4 de outubro

O Tempo da Criação, que se celebra de 1 de setembro a 4 de outubro, reveste este ano uma especial densidade, aliando o tema “água viva” ao oitavo centenário da Páscoa de São Francisco e ao Jubileu Franciscano, convergindo num apelo urgente à paz, à fraternidade universal e à conversão ecológica integral, pilares centrais da espiritualidade franciscana.

O tema escolhido para o Tempo da Criação — “Água Viva” — evoca simultaneamente:

  • a água como dom essencial à vida, hoje ameaçado pela poluição, pela escassez e pela má gestão;
  • a água como símbolo bíblico de renovação, cura e fecundidade espiritual;
  • a água como imagem do Espírito, que “faz novas todas as coisas”.

Num mundo marcado por secas extremas, conflitos por recursos hídricos e degradação ambiental, o apelo à “água viva” é também um apelo à justiça climática, à proteção dos ecossistemas e à defesa das comunidades mais vulneráveis.

Caminhada Passos pela Paz: caminhar juntos pela criação e pela fraternidade

Entre 26 de setembro e 4 de outubro de 2026, diversas cidades portuguesas acolhem a Caminhada Passos pela Paz (Chaves, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Cascais), promovida pela Rede Cuidar da Casa Comum e pelo Movimento Laudato Si’, com coordenação do Círculo Laudato Si’ de Santo António dos Olivais. Esta iniciativa pretende unir três grandes dimensões:

1.  O tema “Água Viva”, chama a atenção para a urgência de proteger rios, nascentes, aquíferos e mares. O texto bíblico para este ano é Ezequiel 47:1-12, que retrata a água vivificante que flui do templo de Deus. O rio se aprofunda cada vez mais, restaurando terras áridas, revitalizando as águas e sustentando ecossistemas prósperos. Esta visão nos convida à responsabilidade humana, reconhecendo os danos ecológicos e abraçando a interconexão, somos chamados a mergulhar na água, a protegê-la e a trabalhar ativamente pela renovação da criação, para que a cura do meio ambiente e o bem-estar humano possam florescer juntos.

2.  Os 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis, cuja vida testemunhou uma paz desarmada e desarmante, feita de reconciliação, desprendimento, simplicidade e cuidado pela Criação e pelos mais frágeis.

3.  O compromisso por uma paz integral, que inclui:

  •   ⁠paz interior, fruto da reconciliação consigo próprio e com Deus;
  •   ⁠paz com os irmãos, através do diálogo e da não violência;
  •   ⁠paz com a criação, através de estilos de vida mais frugais e sustentáveis;
  •   ⁠paz entre os povos, promovendo ativamente o fim dos conflitos que dilaceram a humanidade.

A Caminhada Passos pela Paz é um gesto simples, mas profundamente simbólico: andar juntos, ao ritmo da terra, escutando o clamor dos pobres e o clamor da criação, como pede a encíclica Laudato Si’. Em Coimbra realizar-se-á a 27 de setembro do Choupal até ao Convento de São Francisco, sempre à beira do lençol de água do rio Mondego, integrada no evento anual da Rede Cuidar da Casa Comum: “Também Somos Terra”, que este ao será acolhido pela Unidade Pastoral de Santo António dos Olivais.

Francisco de Assis: ponte entre o Jubileu e o Tempo da Criação

A figura de São Francisco é o elo que une estes dois grandes movimentos:

  • Homem da paz, que desarmou o coração e procurou reconciliar inimigos.
  • Homem da fraternidade, que chamou “irmão” ao lobo, ao sultão, ao leproso, ao pobre e ao rico.
  • Homem da criação, que viu na água, no fogo, no vento e na terra sinais da ternura de Deus.
  • Homem da simplicidade, que escolheu viver sem nada próprio para viver com verdade.

Celebrar o Jubileu e o Tempo da Criação é, portanto, entrar na escola de Francisco, aprendendo com ele a transformar a fé em gestos concretos de cuidado, justiça e paz.

Num tempo marcado por guerras, crises ambientais e desigualdades crescentes, o ano de 2026 oferece à Igreja e ao mundo uma oportunidade rara: unir a memória de São Francisco de Assis ao clamor dos pobres e da criação, unir a peregrinação jubilar à ação pela justiça climática, unir a oração à mobilização comunitária.

A Caminhada Passos pela Paz, o Tempo da Criação e o Ano Jubilar Franciscano convergem num mesmo apelo: deixar que a Água Viva do Espírito renove o coração de cada um, a Igreja e o mundo.

Discover more from Santo António, de Coimbra para o mundo

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading