Hoje é o Domingo da Santíssima Trindade, o Domingo em que celebramos o Dia da Comunidade numa sinfonia que recolhe todas as realidades que compõem a nossa Unidade Pastoral de Santo António dos Olivais. Esta é uma oportunidade, única ao longo do ano pastoral, para agradecer a Deus por tantas pessoas, grupos e lugares de culto que, na sua diversidade, constituem a nossa riqueza e criatividade.
Estamos no ano jubilar da Esperança e nestes dias apresentamos o nosso santo padroeiro, Santo António, como homem de Deus, “semeador de esperança”.
Como o nosso, também o tempo de Santo António foi conturbado por guerras, injustiças, pobreza, exploração dos mais frágeis, mesmo assim ele foi um profeta de paz e de esperança. Lutou contra a chaga da usura, um artifício económico, que enriquecia cada vez mais os ricos e poderosos e levava à miséria as classes mais pobres.

Nos seus Sermões, Santo António recorre à imagem do azeite para falar da esperança, porque o azeite “flutua sobre todos os líquidos… e tem como objeto as coisas eternas”. Para ele a esperança nasce da misericórdia viva, da solidariedade entre todos, do acolhimento aos mais pequenos e frágeis, do cuidado mútuo, do apoio recíproco no corpo e no espírito. A esperança é o fundamento da nossa existência.
Como é atual esta mensagem de António, quer para o nosso tempo, quer para a comunidade cristã de Santo António dos Olivais!
Numa sociedade líquida e digital, como a nossa, na qual corremos o perigo de nos afundar no desânimo ou no prazer do momento, a esperança é o azeite do amor que flutua e nos indica o caminho das obras de misericórdia, o caminho da eternidade.
Que a lâmpada votiva que arde diante da imagem de Santo António à entrada da igreja, alimentada pelo azeite da esperança, ilumine a nossa fé e a nossa caridade, tornando-nos uma comunidade solidária, um povo que caminha, atento às necessidades de todos, inserido na comunhão trinitária de um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.
Frei Fabrizio Bordin
Domingo da Santíssima Trindade – Ano C
Prov 8,22-31: Antes das origens da terra, já existia a Sabedoria
Salmo 8: “Como sois grande em toda a terra, Senhor, nosso Deus! ”
Rom 5,1-5: “Para Deus, por Cristo, na caridade que recebemos do Espírito”
João 16,12-15: “O Espírito receberá do que é meu, para vo-lo anunciar»”
SE VÊS O AMOR, VÊS A TRINDADE
A festa da Trindade é como que um espelho
do meu coração profundo
e do sentido último do universo.
Perante a Trindade, encaminhado
por uma verdade inteira que ainda não possuo,
sinto-me pequeno e, no entanto,
envolvido pelo mistério.
Pequeno, mas abraçado como uma criança,
abraçado pelo vento em que navega
todo o criado e que tem o nome de comunhão.
No final de um dia,
podes nunca ter pensado em Deus,
nunca ter pronunciado o seu nome,
mas se amaste, se te deixaste amar,
se causaste alegria a alguém,
se colocaste um tijolo de comunhão,
fizeste a mais bela profissão de fé na Trindade.
O verdadeiro ateu é quem não se esforça
por criar laços, comunhão, acolhimento.
Quem não entra na dança das relações,
ainda não entrou em Deus, o Deus-Trindade.
“Se vês o amor, vês a Trindade” (S. Agostinho).
Ermes Ronchi, A Esperança que nasce da Palavra

ORAÇÃO: Diz-lhes
Diz-lhes
o que o vento diz às rochas,
o que o mar diz às montanhas.
Diz-lhes
que uma bondade imensa
penetra o universo.
Diz-lhes
que Deus não é o que eles pensam,
que é um vinho de festa,
um banquete de partilha
em que cada um dá e recebe.
Diz-lhes
que Deus é Aquele
que toca a flauta
em plena luz do dia:
aproxima-se e, depois, desaparece
chamando-nos às fontes.
Diz-lhes
a inocência do seu rosto,
os seus traços e o seu sorriso.
Diz-lhes
que dele é o teu espaço
e a tua noite,
a tua ferida
e a tua alegria,
mas diz-lhes também
que Ele não é o que tu dizes,
e que nada sabes dele.
No entanto, confia em ti
e tu invoca-lo e busca-lo
no nome de cada criatura,
todos em conjunto encaminhados
para um Pai
que é fonte jocosa de vida,
para o Filho que me enleva,
para o Espírito
que incendeia de comunhão
todas as nossas solidões.
Da Comissão Francófona Cisterciense
In Pica-Pau, Folha Paroquial da Unidade Pastoral de Santo António dos Olivais
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