Famílias de Acolhimento | Família Henriques Matos
A nossa experiência de acolhimento vem das vivências da aldeia. Oferecer refeições em nossa casa aos elementos da Filarmónica era até agora a nossa única experiência de acolhimento de pessoas desconhecidas. Os nossos pais deram-nos um exemplo de generosidade e de serviço.
Também os nossos filhos têm sido acolhidos em casa de outras pessoas. Alguém com coragem e generosidade, os tem acolhido com atenção e cuidado. Neste contexto, como podíamos recusar a proposta de receber jovens peregrinos em nossa casa?
Sabemo-nos uma família imperfeita como tantas outras e vimos esta experiência como uma oportunidade de estar ao serviço, de “abrir a porta para a paz” e desta forma contribuir para a união e proximidade dos povos.
Num primeiro momento, acolher os jovens não dependia exclusivamente do espaço físico disponível. Na verdade, hesitámos apenas por motivos relacionados com a nossa atividade profissional e as nossas vidas diárias.
Depois da decisão tomada e de percebermos que entre todos conseguiríamos dar o apoio necessário, várias questões se nos colocaram: Onde vão dormir? De que nacionalidade serão? Como vamos comunicar? Vêm por bem?
Soubemos, entretanto, através do email enviado pela organização do LA dos Olivais, que iríamos receber 2 jovens alemães, o Daniel e o Gabriel, de 25 e 27 anos. O Gabriel, estudante de engenharia e o Daniel, agente pastoral.
Foi com alegria que percebemos a sua vontade de fazer parte da nossa dinâmica familiar. Depois de lhes ser apresentada a cozinha e tudo o que tínhamos para oferecer, fizeram questão de preparar o seu e o nosso pequeno almoço. Fomos assim servidos na nossa própria casa.
Partilhámos diferenças culturais e experiências de vida e a empatia e a atenção que nos dedicaram, e o cuidado parental que emergiu em nós, fizeram com que, por 4 dias e umas horas nos tornássemos Família.
Estão em nossa casa, as plantas da Eva, uma jovem do Equador que fez o Crisma este ano na nossa Paróquia e que as confiou ao nosso cuidado, enquanto foi de férias para junto da sua família. Demos por nós a olhá-las, aos nossos filhos e aos jovens alemães, com muita alegria e a vontade de manter aberta a nossa porta e os nossos braços.
Se outra oportunidade houver, repetiremos a experiência, tendo sempre presente o princípio que rege a nossa vida − todos os que se cruzam connosco, são filhos de alguém, irmãos de alguém, o Amor de alguém!