Chamar-se-á Deus connosco
Última edição
Cabe, agora, a cada um de nós, como diz o Frei Severino no editorial, “tornar-se mensageiro de Santo António, encarnando o seu desejo da verdade e o seu fogo da caridade, lutando contra toda a espécie de injustiça e doando com magnanimidade tudo o que recebemos de graça”.
Graças a todos vós, leitores, colaboradores, amigas e amigos, a edição de dezembro de 2023, a última, ficou pronta e já seguiu para a Gráfica. É o nosso presente de Natal para todos vós.
Parafraseando Juan Ambrosio, o Mensageiro de Santo António “foi uma oportunidade exigente de poder pensar e refletir temas variados e atuais, não à maneira de quem ensina, mas à maneira de quem procura, comparte e sabe que caminha em conjunto”, ou, como afirmam a Inês e o Gonçalo “os colaboradores, os responsáveis e os leitores da revista souberam sintonizar-se num projeto assumido com visão de futuro, onde se cultivou a amizade e se fez caminho, juntos”.
Nas páginas 28 e 29, partilhamos excertos de algumas das numerosas cartas e mensagens recebidas. Pedimos desculpa, mas são tantas que não couberam todas. O nosso bem haja pelas vossas palavras. Que Santo António vos acompanhe sempre. Rezamos por todos. Rezem por nós. Ao desencanto da Maria Manuela: “Ó valha-me Deus, então a revista vai acabar! Eu moro numa aldeia e não tenho nada aqui perto, é o Mensageiro que me faz companhia”, responde a Zélia: “Despedir-me da Revista vai ser difícil e sei que durante largos meses, irei à caixa CTT procurá-la, pois vou sentir a falta de tantos e tão variados artigos, que lia sofregamente. Acredito que Sto António está vigilante e vai encontrar um jeito de nos manter em sintonia”.
O nosso bem haja a todos pela generosa colaboração e por tantas e tão belas manifestações de amizade e apoio que temos recebido.
A edição impressa inclui um encarte (um presente de agradecimento) sobre a Igreja/Convento de Santo António dos Olivais, em Coimbra, onde ficamos à vossa espera e uma carta dos nossos frades apresentando um projeto diferente, o novo site Franciscanos na Terra de António.
Na capa abrimos a edição com um grito de esperança que anuncia que a encarnação do Natal continua hoje: “Chamar-se-á Deus connosco” e fecha com excertos da Mensagem do Papa à COP28 que decorre no Dubai.
Dentro há muito para ler, não esquecendo o Especial sob a Caminhada Sinodal, que se debruça de um modo particular sobre o Relatório de Síntese que nos foi oferecido para, até outubro de 2024, continuarmos em atitude de escuta aos sinais dos tempos, começando já a concretizar nas nossas comunidades o método sinodal, concretizando as convergências, aprofundando as questões em aberto e acolhendo as propostas que surgirem no diálogo.
A celebração do Natal deste ano, recorda-nos que, há 800 anos, Francisco de Assis teve a iluminação de representar o primeiro Presépio vivente, em Greccio. Miguel Panão fala-nos do “Tempo Esquecido“. Rui Pedro Vasconcelos despede-se dos leitores e leitoras “com um profundo e grato bem-haja” ao mesmo tempo que nos oferece uma última recensão sobre um clássico de Santo Agostinho “Sermões II: os Evangelhos“. Manuel Mendes apresenta o filme “Abbé Pierre” que o levou a interrogar-se “que marca ficará da minha passagem sobre a terra”. Coincidência ou não, a Catequese para os jovens na rubrica “Coragem, Levanta-te” aborda precisamente o tema: “Tenho medo de não deixar rasto“. O Pe. Idalino lembra-nos a Mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Pobres, que nos provoca e convoca para “nunca desviarmos o olhar de algum pobre“. Em “companheiros de viagem” Juan Ambrosio revela um segredo guardado durante 9 anos, tantos quantos durou a sua colaboração connosco. Pedro Teotónio fala-nos dos caminhos de Santo António e Frei António Ramina recorda-nos que, nos Sermões de António, o Natal nada tem de romântico, pois “estávamos em grande perigo e o próprio Deus quis vir ao nosso encontro para nos resgatar do precipício”.
E assim se fez a última edição da revista “Mensageiro de Santo António”.
O nosso bem hajam. Encontramo-nos mais à frente na próxima encruzilhada da vida, quando Deus quiser. Como diz a Joana Cavalcanti “se não formos capazes de encontrar um lugar de encontro para o humano, então seremos o fracasso, um projeto que não deu certo. O fracasso está em perder a luta, em deixar de existir como memória e projeto de futuro”.
Abraço fraterno de Paz e Bem e boas leituras.
Foto da capa: Minara é um bebé rohingya e dorme num acampamento improvisado no Bangladesh. Segundo a Onu, mais de 1 milhão de rohingyas fugiram de Myanmar e vivem agora em campos de refugiados no Bangladesh, desde 2017. Foto EPA/MONIRUL ALAM, 15 de junho de 2023.