De todo o Mundo para este lugar

Testemunho dos Jovens | Clara e Gabriel

Dois jovens estudantes, catequistas na paróquia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, membros do projeto Tau. A Clara é atriz nos tempos vagos e o Gabriel é brasileiro a tempo integral.

Dois jovens estudantes, catequistas
na paróquia de Santo António dos Olivais, em Coimbra,
membros do projeto Tau.
A Clara é atriz nos tempos vagos
e o Gabriel é brasileiro a tempo integral.

Não podemos dizer que tudo começou dia 25 de julho de 2023, porque para trás ficam anos de preparação, mas no dia 25, vimos os primeiros peregrinos chegar, os peregrinos que tivemos o prazer de receber nas nossas casas e de acompanhar enquanto voluntários nos Dias Na Diocese.

A experiência das pré-jornadas trouxe à nossa vida um novo significado da palavra “Acolher”. Estar em Casa e fazer os outros sentirem-se em Casa foi o apogeu da vivência nas Jornadas, e para nós foi isto que o Papa Francisco sempre nos pediu: Acolher o vizinho e quem nos bate à porta. Tornar a nossa casa e a nossa igreja de TODOS.

Um misto de emoções acompanhado por um crescimento pessoal e coletivo inundou os nossos corações. Não podemos dizer que tudo foi fácil nesta primeira semana, houve dificuldades e um esforço constante para lutar pelo melhor e o bem-estar de quem acolhíamos.

Mas quando tivemos a feliz oportunidade de reencontrar a nossa recém “família” em Lisboa, dissociámos o alvoroço das jornadas com a compensação da tranquilidade e alegria que eles nos transmitiram. Em Lisboa, continuámos o caminho mais próximo do nosso grupo de jovens, O Projeto Tau.

Entre diversas dinâmicas destacamos o encontro na Universidade Católica Portuguesa direcionado para jovens estudantes. O ambiente mais “controlado” e com menos pessoas permitiu ouvir com mais atenção o discurso do Papa que foi dirigido ao publico alvo do evento.

Francisco incitou-nos a procurar, a arriscar e a sermos Mestres da Esperança.

Tivemos a alegria de inverter os papéis ao poder ser acolhidos por uma família. Devido a circunstâncias menos felizes que limitavam a nossa participação na vigília, pudemos chegar a casa no fim do dia e viver este momento glorioso num ambiente acolhedor.

Houve descaídas e momentos mais complicados provocados pela exigência física e o cansaço, mas como disse o Papa Francisco: “O único momento em que é legítimo olhar uma pessoa de cima para baixo é para ajudá-la a levantar-se!”.

Acreditamos que o tenhamos feito entre nós, acreditamos que nos tenha ajudado a crescer e acreditamos que nos tornou mais fortes e mais maduros.

Foto da capa: Encontro com jovens universitários, Universidade Católica Portuguesa, 3 de agosto de 2023. Foto António Vale | JMJ Lisboa 2023

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Se quem recebeu um ensino superior – que hoje, em Portugal e no mundo, continua a ser um privilégio –, não se esforça por restituir aquilo de que beneficiou, significa que não compreendeu profundamente o que lhe foi oferecido.

“Fernando Pessoa diz, de modo atormentado mas correto, que «ser descontente é ser homem» (Mensagem, O Quinto Império). (…) Portanto, não nos alarmemos se nos encontramos intimamente sedentos, inquietos, incompletos, desejosos de sentido e de futuro, com saudade do futuro. E aqui, junto com a saudade do futuro, não vos esqueçais de manter viva a memória do futuro. Não estamos doentes, estamos vivos! Preocupemo-nos antes quando estamos prontos a substituir a estrada a fazer por uma paragem em qualquer estação de serviço que nos dê a ilusão do conforto; quando substituímos os rostos pelos ecrãs, o real pelo virtual; quando, em vez das perguntas lacerantes, preferimos as respostas fáceis que anestesiam. E podemos encontrá-las em qualquer manual de relações sociais, de bom comportamento. As respostas fáceis anestesiam.

Amigos, permiti que vos diga: procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é precisa coragem para pensar assim. Por isso sede protagonistas duma «nova coreografia» que coloque no centro a pessoa humana, sede coreógrafos da dança da vida. (…)

Por isso, tende a coragem de substituir os medos pelos sonhos: substituí os medos pelos sonhos, não sejais administradores de medos, mas empreendedores de sonhos!
À universidade que se comprometeu a formar as novas gerações, seria um desperdício pensá-la apenas para perpetuar o atual sistema elitista e desigual do mundo. (…) Se o conhecimento não for acolhido como uma responsabilidade, torna-se estéril. Se quem recebeu um ensino superior – que hoje, em Portugal e no mundo, continua a ser um privilégio –, não se esforça por restituir aquilo de que beneficiou, significa que não compreendeu profundamente o que lhe foi oferecido. Gosto de pensar que, no Génesis, as primeiras perguntas que Deus faz ao homem são: «Onde estás?» (3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (4, 9). (…)

Ao escutar-vos veio-me ao pensamento uma frase do escritor Almada Negreiros, que talvez vos seja familiar: «Sonhei com um país onde todos chegavam a Mestres» (A Invenção do Dia Claro). Também este idoso que vos fala (é que já estou velho), este idoso sonha que a vossa geração se torne uma geração de mestres: mestres de humanidade, mestres de compaixão, mestres de novas oportunidades para o planeta e seus habitantes, mestres de esperança. E mestres que defendam a vida do planeta, ameaçada neste momento por uma grave destruição ecológica.”

Encontro com os jovens universitários, Universidade Católica Portuguesa, 3 de agosto de 2023

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