Construir uma Igreja de Todos, Todos, Todos

Testemunho dos Jovens | Carolina e Droó

Carolina Silva e o Jorge André Matos

Somos a Carolina Silva e o Jorge André Matos (Droó)
e, há 6 anos, os nossos caminhos cruzaram-se.
Desde então, formamos uma dupla não só na vida,
mas também como animadores do Projeto Tau.

Jesus quer preencher o nosso medo, o teu medo, o meu medo… Ele espera impelir-nos a abraçar o risco de amar. Porque, como sabeis (sabei-lo melhor do que eu), amar é arriscado.

O Projeto Tau saiu de Coimbra rumo a Lisboa, dia 31 de julho. Não íamos sozinhos, mas também não sabíamos quão acompanhados estaríamos! Só na Missa de Acolhimento é que pudemos perceber que há tanta gente como nós! Jovens felizes e que acreditam em Jesus e no seu Amor. No meio de tanto caos (do bom) é tão fácil encontrarmos aqueles de quem gostamos… Na memória ficam as palavras de Dom Manuel Clemente “…a ânsia é do que ainda não temos e pretendemos, inquietos. A pressa é diferente… Por isso é uma urgência serena e sem atropelo”.

No dia 3 de Agosto, os jovens acolheram o Papa Francisco! Via-se no rosto dos jovens a alegria de ver o Papa pela primeira vez nos ecrãs gigantes. Desde o fado até ao cante alentejano, e com Tiago Bettencourt e Héber Marques, Lisboa saudou calorosamente o Papa. A nós, tocou-nos particularmente “A Estrela”. Tínhamos ouvido esta música pela primeira vez há um mês, num concerto da Carminho, e tivemos logo a ideia de a usar numa oração “… Tu és a Estrela e eu sou o Peregrino…”.

Não se fez silêncio quando se cantou o fado, mas fez-se silêncio quando o Papa falou. As suas palavras ecoaram no nosso coração e nos corações de toda a sociedade, “Peço a cada um que, na própria língua, repita comigo TODOS, TODOS, TODOS…”. 183 nacionalidades em uníssono. A partir desse momento, percebemos a dimensão daquilo que estávamos a viver, pois nas redes sociais eram inúmeros os posts e notícias com estas palavras em letras garrafais: “TODOS, TODOS, TODOS”.

O dia seguinte contou com dois momentos muito marcantes: a Via Sacra, com 500 mil pessoas, e o concerto do coro COD Coimbra com menos de 500 pessoas. Tão diferentes, mas igualmente especiais!

A Via Sacra foi “de jovens, para jovens”. Com o relato de testemunhos e embelezada com pinturas contemporâneas, dança e teatro, o caminho de Jesus até ao Calvário fez-se próximo de cada jovem, com as suas fragilidades. Foram abordados temas como o desemprego, a solidão e a saúde mental ao longo das 14 estações, reflexões que também fazem parte das reuniões do Projeto Tau. O Papa pediu ainda para fazermos um exame de consciência: “…deixemos que cada um de nós pense no seu próprio sofrimento, pense na sua própria ansiedade, pense nas suas próprias misérias. Não tenham medo. Pensem nelas. E pensem no desejo de que a alma volte a sorrir”. Desta forma, entregámos as nossas inseguranças a Deus e deixámo-nos tocar pelo Espírito, para que nos ilumine e nos fortaleça na nossa vida.

A noite foi de festa! O último concerto do Coro COD Coimbra foi ainda mais especial por ter a Diocese de Coimbra no epicentro da JMJ. Foi emocionante ver toda a plateia a vibrar, a cantar, a dançar e a louvar a Deus de uma forma tão festiva.

E eis que chega sábado, o dia mais aguardado. Começámos a peregrinação para o Campo da Graça a cantar e a contagiar quem se cruzava connosco. Depois do almoço, partimos para o nosso setor, mas enfrentámos multidões e empurrões. O que era uma caminhada de 1 hora transformou-se numa espera de 6 horas, sem conseguir manter o grupo unido. Acabámos por ficar fora do setor, numa zona de passagem, devido à sobrelotação. Com um sabor amargo, lembramos a comparação, nas palavras do Frei Marius, com a difícil situação de pessoas que partem em busca de algo melhor e acabam num campo de refugiados. Olhando agora para trás e mais calmos, vemos esta experiência como algo que nos uniu e nos tornou mais humildes, valorizando aspetos básicos da nossa vida que tomamos como garantidos.

Aí, tivemos de tomar a decisão mais difícil: faltar à missa de envio e regressar mais cedo. Voltamos cansados, mas com a sensação de missão cumprida. Mais importante do que assistir à missa de envio é sentir que peregrinámos na JMJ e que regressamos com a nossa fé revigorada e prontos a espalhar o espírito de comunidade que se viveu.

Quanto a nós, como casal, o mais importante foi garantir que todos estavam bem e aproveitavam ao máximo.
O que trazemos na bagagem? Sorrisos, pessoas, um coração cheio e com pressa de construir uma Igreja de “todos, todos, todos”.

Foto da capa: Via Sacra com os jovens, 4 de agosto de 2023. Foto João Matos | JMJ Lisboa 2023.


Amar é arriscado

“Hoje, caminhareis com Jesus. Jesus é o Caminho e nós caminharemos com Ele, porque Ele caminha. Quando estava entre nós, Jesus caminhou: caminhou, curando os doentes, prestando assistência aos pobres, fazendo justiça; caminhou pregando, ensinando-nos. Jesus caminha, mas o caminho que temos mais gravado no nosso coração é o caminho do Calvário, o caminho da Cruz. E hoje vós, nós (eu também), rezando, seguiremos novamente o caminho da Cruz. Contemplaremos Jesus que passa e caminharemos com Ele. (…)

Com a sua ternura, Jesus enxuga as nossas lágrimas escondidas. Jesus espera cumular, com a sua proximidade, a nossa solidão. Como são tristes os momentos de solidão! Neles está Jesus, Ele quer preencher tal solidão. Jesus quer preencher o nosso medo, o teu medo, o meu medo… esses medos obscuros quer preenchê-los com a sua consolação. Ele espera impelir-nos a abraçar o risco de amar. Porque, como sabeis (sabei-lo melhor do que eu), amar é arriscado. É preciso correr o risco de amar. É um risco, mas vale a pena corrê-lo; nisso, acompanha-nos Jesus. Sempre nos acompanha, sempre caminha; durante a vida, sempre está junto de nós”.

Via Sacra com os jovens, 4 de agosto de 2023

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